COMO A REVISTA VEJA ANALISOU O DESEMPENHO DA DILMA NO DEBATE DO SBT.
Dilma
questiona Marina: logo de cara, a presidente se confundiu com as regras do
debate e admitiu “nervosismo” (Foto: Reprodução SBT)
Questionada e pressionada por todos os demais seis
candidatos à Presidência no debate recém-encerrado pelo SBT, a presidente Dilma
Rousseff (PT), aspirante à reeleição, teve uma atuação fraca e sai como a
grande perdedora.
Nervosa, algo que admitiu logo no início do
programa ao mostrar desconhecimento das regras do debate, Dilma repetiu
sucessivamente cantilenas de realizações que ninguém vê, de melhorias que não
se identificam e de feitos que só constam do mundo dos sonhos, como a contenção
da inflação e o crescimento econômico.
Atrapalhando-se, como sempre, com as palavras, a
presidente não deixou uma só vez de consultar textos feitos por sua assessoria
ao endereçar perguntas, comentar respostas ou oferecer tréplica. Quando tentou
improvisar, tropeçava nas frases e, num universo — o da imagem — em que o que
se vê é mais importante do aquilo que se ouve, naufragou.
Eduardo Jorge debate com Aécio: nanicos acabaram
dando ao candidato tucano o espaço que Dilma e Marina, espertamente, recusaram
(Foto: Reprodução SBT)
Aécio Neves (PSDB), desta feita, criticou com mais
dureza o governo do que no debate anterior, o da Band, assinalando sempre que
possível que a gestão Dilma “fracassou”, afirmando que nenhuma das
supostas providências anti-corrupção que a presidente disse ter adotado
funcionou e, entre outros pontos, lembrando que há um importante ex-diretor da
Petrobras preso. Deixou, porém, de bater em pontos fracos do governo
lulopetista, como, entre muitos outros, sua incompreensível aliança
com o regime de Cuba.
Marina Silva (PSB), sem perder a postura de Gandhi
que costuma adotar, acabou sendo mais direta e clara nas críticas, falando do
descontrole da inflação, da paralisia na economia e dos “péssimos serviços
prestados à população”, e teve um de seus melhores momentos fustigando
Dilma ao assinalar:
– Quando as coisas vão bem, os louros vão para seu
governo. Quando vão mal, a culpa é da crise externa ou até da natureza.
Em outro bom momento, Marina disse que é incapaz de
reconhecer os erros de seu governo, e sentenciou:
– Se não se reconhecem os erros, não há como
repará-los.
Dilma e Marina, em uma tática correta do ponto
de vista de seus interesses eleitorais, ignoraram Aécio, que, porém, teve
oportunidade de dar seus recados graças a perguntas ou indicação para comentar
provenientes dos candidatos nanicos, dos quais, como sempre, o mais patético
foi o candidato profissional Levy Fidelix (PRTB), já em sua 10ª campanha
eleitoral, todas sem o mais remoto sinal de qualquer repercussão no eleitorado.
O debate, iniciado às 17h45, durou 1 hora e 49
minutos. Foi transmitido pelo SBT e pelos coorganizadores — o portal UOL, o
site do jornal Folha de S. Paulo e a rádio Jovem Pan.


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