POLÍTICA: O apoio de Marina pode ser decisivo nas eleições?




           Ambientalista tem eleitorado heterogêneo e, mesmo que confirme preferência por Aécio, não deve haver uma transferência automática de votos. Entre os motivos, as indicações de que ela não fará campanha pelo tucano.
         A cobiçada declaração de apoio de Marina Silva, que obteve mais de 22 milhões de votos (21%) no primeiro turno, pode não ser tão determinante para o resultado da disputa entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.
       Segundo analistas políticos ouvidos pela DW Brasil, a ambientalista tem um eleitorado diversificado e de comportamento imprevisível. E uma declaração de apoio não significará necessariamente uma transferência automática dos votos.
       Seu partido, o PSB, já confirmou o apoio a Aécio, mas Marina adiou sua decisão, que seria tornada pública nesta quinta-feira (09/10). Ainda não há nova data para um pronunciamento. Os candidatos Pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV), que receberam menos de 1% dos votos cada, também declararam estarem com o tucano no segundo turno.
     De acordo com o cientista político Pedro Fassoni Arruda, da PUC-SP, não existe transferência automática de votos, e a conta é complexa. Para ele, nem todos os eleitores seguem a orientação dada pelo candidato. E, caso Marina confirme o apoio a Aécio, ela não deve subir no palanque, nem pedir abertamente votos para o tucano na TV.
      “Um apoio tímido como esse transfere menos votos que uma declaração explícita”, diz Arruda. “Um exemplo é Lula. Mesmo com o apoio do ex-presidente e a forte possibilidade de transferência de votos, o candidato petista ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, perdeu em redutos importantes do PT no estado.”
      Para o cientista político Oswaldo Dehon, do Ibmec/MG, Marina tem um importante capital político, mas, pelo fato de não estar fundada em estruturas partidárias e movimentos sociais sólidos, ela perde parte de seu potencial de transferência de votos.
      “Falta a ela uma institucionalização do ponto de vista de militância ou de articulação partidária. Isso tira dela um papel mais destacado nos momentos fora das eleições”, diz Dehon. “Por isso, ela não deve transferir de forma unidirecional os votos que teve no primeiro turno.”
      Dehon não descarta que os 22 milhões de votos acabem divididos meio a meio entre os dois candidatos finalistas. Já Arruda aposta que 60% dos eleitores de Marina devem votar em Aécio, e 25%, em Dilma. O resto, segundo ele, ficaria dividido entre indecisos, branco e nulo.
     Outro cenário é que Marina se mantenha neutra na disputa política do segundo turno. Seria essa, segundo analistas, a postura mais coerente para quem afirma ser representante da "nova política" e diz querer quebrar a polarização entre PT e PSDB.
        Para o cientista político Rodrigo Prando, do Mackenzie, caso escolha a neutralidade,

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