Evo Morales é reeleito na Bolívia e terá maioria no Congresso
O presidente da Bolívia, Evo Morales,
foi reeleito neste domingo (12/10) para o terceiro mandato de cinco anos. A
contagem realizada pelo instituto Ipsos aponta que o mandatário obteve 59,7%
dos votos, contra 25,1% do principal opositor, Samuel Doria Medina, que
reconheceu a derrota. O MAS (Movimento ao Socialismo), partido de Evo, obteve,
até o momento, 80 deputados de um total de 130 e 24 senadores de 36.
O bom desempenho econômico e melhorias
sociais são os fatores apontados como os principais, entre os que
possibilitaram a reeleição do presidente
Conhecido o resultado das urnas, e
diante de uma multidão de apoiadores, Evo dedicou a vitória ao ex-presidente
cubano Fidel Castro, ao falecido líder venezuelano Hugo Chávez e a todos os
governos e povos "anti-imperialistas" do mundo. “Pátria sim, colônia
não”, gritavam as pessoas que se reuniram na Praça Murillo para comemorar a
reeleição.
A votação expressiva que obteve no
departamento (estado) de Santa Cruz, antigo reduto da oposição autonomista, é
inédita. Evo conseguiu 49% dos votos, contra 38% do principal opositor. Na
Bolívia "não há meia lua, mas lua cheia", disse em referência à
região da “meia lua” que compreende os departamentos de Beni, Pando, Santa Cruz
e Tarija. Evo venceu em oito dos nove departamentos do país. Apenas em Beni a
oposição saiu vitoriosa.
Evo fez um discurso pedindo unidade ao
país. "Pela Bolívia suportamos com muita paciência, não há porque comentar
ou lembrar (...) Por isso os convocamos [os opositores] a somar, a trabalhar.
Têm direito a discordar, mas acima disso está nossa querida Bolívia",
acrescentou.
O bom momento econômico que vive o país,
com um crescimento de 6,4%, segundo estimativa do FMI, em conjunto com a
melhoria dos indicadores sociais, são apontados por analistas como alguns dos
motivos pelos quais o presidente goza de apoio massivo da população.
Após o encerramento da jornada eleitoral e
diante dos primeiros resultados, Doria Medina, que concorreu à presidência pela
terceira vez, se pronunciou dizendo que aceita os resultados e que o voto de
mais de um milhão de pessoas o consolidam como a principal força opositora.
“Nos asseguraremos que não haja mais
reeleições, que haja saúde, educação, que melhore a economia do país”, disse
durante discurso. Medina disse ainda que fiscalizará o governo para garantir
que se “lute contra abusos” e indicou que já se prepara para as eleições
regionais para governadores e prefeitos, previstas para março. “Trabalharemos
para construir uma alternativa”, afirmou.
Jorge Tuto Quiroga, que ficou em terceiro
colocado com aproximadamente 9% dos votos, disse que honrará os votos que
recebeu fazendo oposição no Congresso para evitar que Evo “se perpetue no
poder”.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro,
comemorou a vitória e fez referências a outros líderes latino-americanos. “Viva
a Bolívia, viva Tupac Katari, viva Simón Bolívar, viva Sucre, viva Hugo Chávez,
viva Fidel, viva Evo”, escreveu no Twitter.
O mandatário cubano, Raúl Castro, também
parabenizou Evo e elogiou o que chamou de "processo de transformações na
Bolívia". Já o líder uruguaio José "Pepe" Mujica, ligou para Evo
para felicitá-lo e destacar o tempo vigente de “rebelião e revolução” na Bolívia
e por extensão, na América Latina.
Cristina Kirchner, presidente argentina,
também conversou com Evo por telefone para parabenizá-lo em nome próprio e do
povo argentino.
Os presidentes de Nicarágua, Daniel
Ortega e El Salvador, Sánchez Cerén, também enviaram mensagens de apoio e
cumprimento pela vitória, assim como o ministro de Relações Exteriores do
Equador, Ricardo Patiño, que classificou a reeleição como êxito do
"processo de revolução a favor do povo".
Até o fechamento desta matéria, o governo brasileiro
ainda não havia se pronunciado sobre o resultado do processo eleitoral
boliviano.
*Com
reportagens da agência Efe

Comentários
Postar um comentário